Prova de Resistência (AD) – Considerações

Prova de Resistência (AD) – Considerações

por Max Macedo outubro 02, 2017

A Prova de Resistência, “Endurance Test” em inglês, ou, apenas “AD”, sigla em alemão com a qual é mundialmente conhecida, é uma prova básica de verificação das condições físicas e cardio-respiratórias dos cães da raça Pastor Alemão, que consiste num trote acompanhando o condutor em uma bicicleta, num percurso total de 20 kilômetros, com 3 pontos de parada e inspeção (“check-point ́s”), que tem como propósito ser mais uma ferramenta de amparo a seleção para a criação, e, por isso, nos países onde a criação é realmente levada a sério, integra a lista de pré-requisitos obrigatórios para pretensos reprodutores e matrizes serem submetidos a Seleção para a Reprodução (Körung), e, portanto, a partir de então, iniciarem sua carreira reprodutiva. Isso mesmo, nos países onde a criação é regida por normas coerentes com o padrão original, os pré-requisitos mínimos para que cães se apresentem para a Seleção são:

01- Idade mínima de 24 meses;
02- Prova de BH;
03- Prova de Resistência (AD);
04- Prova de Trabalho no grau mínimo IPO1;
05- Radiografias de Quadris e Cotovelos.

De forma resumida, sua execução regulamentar se dá da seguinte maneira: Os condutores se apresentam com seus cães na posição básica, quando há os procedimentos de identificação rotineiros, e, executam, de bicicleta um trajeto total de trote de 20 kilômetros, em uma velocidade entre 12 a 15 km/hora.

Após os primeiros 8 km há o primeiro “check-point”, quando os cães param, aguarda-se 15 minutos, e, o juiz faz uma verificação de suas condições gerais; aqueles que se apresentarem íntegros e aptos prosseguem sequencialmente na segunda fase. Após mais 7 km (15 km totais até então) há outro “check- point”, com tempo de parada desta vez de 20 minutos; o juiz faz mais uma verificação de suas condições gerais; aqueles que se apresentarem íntegros e aptos prosseguem sequencialmente na terceira fase. Após mais 5 km (20 km totais) há o terceiro e último “check-point”, com tempo de parada de 15 minutos; o juiz faz mais uma verificação de suas condições gerais; aqueles que se apresentarem íntegros são aprovados, aqueles que apresentarem qualquer alteração, seja de movimentação (claudicação, incoordenação), seja física (lesões dos coxins), seja respiratória, são reprovados. A prova apenas aprova ou reprova, não havendo pontuação. Os mais antigos devem se recordar que a Prova de Resistência era pré-requisito obrigatório também no Brasil até o ano de 1994, quando se tratava de procedimento rotineiro, até que, sem nenhuma justificativa plausível e transparente, foi abolida no referido ano.

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Trata-se de uma simples, mas importante prova de triagem para a raça, pois, cães normais, saudáveis física e mentalmente, com uma anatomia dentro do padrão, criados em ambientes adequados que lhes propiciem atividade física normal, mesmo sem um treinamento específico e direcionado, são capazes de cumpri-la. A função dessa prova não é testar a capacidade de cães atletas e super preparados, mas simplesmente de testar a capacidade mínima de cães normais. Muitas pessoas se impressionam um pouco com a kilometragem, pois baseiam-se nas condições do ser humano, em que, para indivíduos comuns, é muito difícil encontrar alguém que sem treino específico consiga trotar 20 km; devemos nos lembrar que estamos tratando de quadrúpedes, canídeos, e, Pastores Alemães, uma raça que tem sido selecionada geneticamente durante mais de um século, do ponto de vista anatômico e em sua estrutura cardiovascular, justamente para trotar longas distâncias, e, em sua origem, trabalhando em rebanhos, o rotineiro é que trotem diariamente entre 80 a 120 km diários, com diversos momentos de explosões e saltos entremeados.

Quem teme e evita a Prova de Resistência só pode ter dois motivos: o primeiro, nunca a realizou, e, vive sob o tabu de uma dificuldade não existente de fato, o segundo motivo é que, talvez seus cães realmente tenham dificuldade de cumpri-la, e, esse é o motivo pela qual a Prova de Resistência deveria ser obrigatória no Brasil, para eliminar esses cães da reprodução. Recentemente vi um certo criador afirmar em tom de bravata que qualquer cão consegue realizá-la, é apenas questão de treino; concordo com a primeira parte da frase, mas, com base em longa experiência própria, discordo da segunda, qualquer cão Pastor Alemão, mesmo sem treino, deveria ser capaz de cumpri-la, e, se não o for, não deveria ser utilizado na reprodução. A Prova de Resistência é um importante e objetivo ponto de corte para a seleção da raça Pastor Alemão.

Também já ouvi inúmeras outras afirmações descabidas, entre elas que um ou uma determinada VA de determinado país treinava 10 km por dia… Afirmo: isso não é nada para um Pastor Alemão de compleição normal, dentro do padrão anatômico médio previsto, e que, tenha uma vida de atividades físicas normais, com espaço suficiente para se movimentar, treinando obediência e proteção etc.

Outro provável motivo que deve nos preocupar é a superlotação de alguns canis criadores, que mais funcionam como fábrica de filhotes do que como criadores de Pastores Alemães. Realmente, com um canil cheio de cães, fica difícil permitir que tenham uma vida saudável normal, que recebam a dedicação individual que merecem, que façam os exercícios físicos naturais e saudáveis para um cão pastor, e, que treinem obediência e proteção. Nesse caso, a existência de provas prévias a entrada em reprodução somente funciona como empecilho aos propósitos de multiplicação desordenada e comercial de cães.

Muitos podem relutar e afirmar que com tantos itens e pré-requisitos fica difícil a criação do Pastor Alemão, contudo, incito a um raciocínio: o grande diferencial da raça Pastor Alemão e que a fez a raça canina do século XX foi justamente a dificuldade em criá-la, sua reprodução criteriosa, baseada em testes objetivos, e não sua facilidade. Foi essa coluna dorsal que colocou a raça na frente das outras, que, ao contrário, para reproduzirem-se, bastava que seus indivíduos apresentassem características morfológicas, visuais e externas semelhantes. Essa dificuldade para se criar o Pastor Alemão gerou no mundo o respeito por essa grande raça, arquitetada pelo Capitão Stephanitz. A popularização de uma criação, em seu sentido mais literal, é o segredo de sua degeneração.

Conduzir a criação do cão Pastor Alemão sem critérios regulamentares objetivos é colocá-lo na vala comum das demais raças, e, aguardar pela derrocada. Queremos realmente criar uma raça diferenciada, criteriosa, ou, apenas produzir filhotes vivendo da fama do passado? Qual então o motivo de não inserirmos em nossos regulamentos de criação a necessidade obrigatória de tão simples prova?

Como dizia um ex-comandante que tive em tempos de caserna: essa trilha vai desembocar num charco!

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